O Serviço Municipal de Alimentação Escolar (SMAE) – órgão vinculado à Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura de Descalvado –, emitiu no início da manhã desta sexta-feira (01/04) uma nota de esclarecimento sobre o episódio que ganhou grande repercussão no dia anterior (especialmente nas redes sociais) envolvendo a merenda servida na rede escolar do município. De acordo com o que foi relatado por alguns perfis nas redes sociais, alunos das escolas estaduais Luciano Ivo Tognetti (localizada no bairro Morada do Sol) e José Ferreira da Silva (no centro) passado mal após consumirem comida estragada servida durante a merenda das instituições de ensino. Além de não condizer com a verdade, o fato casou preocupação às famílias de todos os alunos da rede escolar.

Infelizmente, o episódio comprovou mais uma vez que a ausência da precaução, da responsabilidade social e da empatia no uso das redes sociais para postagens, comentários e/ou compartilhamentos daquilo que não se tem conhecimento fático, ou então, sem que exista envolvimento direto por parte daqueles que fomentam esse tipo de estória, pode alimentar e impulsionar aquilo que cada vez mais os dias atuais exige de todos os membros de uma comunidade, especialmente daquela onde vivemos: o combate e a disseminação das chamadas ‘fake news’ ou ‘notícias falsas’.

Desde as últimas horas da tarde desta quinta-feira (31/03), todos os profissionais e servidores públicos envolvidos no serviço municipal de alimentação escolar (desde o comprador do setor de licitação, passando pelos nutricionistas, cozinheiros, auxiliares de cozinha, servidores que fazem o transporte e a distribuição dos alimentos em todas as unidades escolares, bem como aqueles que diariamente servem as refeições aos mais de 4 mil alunos da rede pública de educação), viram-se, de uma hora para outra, inseridos em um enredo de boatos, mentiras, acusações sem qualquer justificativa plausível, e, infelizmente, de aparente julgamento onde em alguns casos, também vêm carregado de sentimentos de ódio e rancor.

A verdade dos fatos está, de forma simples e objetiva, explicitada na nota de esclarecimento emitida na manhã desta sexta-feira pela equipe do SMAE. Além disso, de forma muito clara e transparente, o Chefe de Seção da Alimentação Escolar, Altemar Viana Nunes, também se manifestou por meio de um vídeo publicado na página da Secretaria de Educação e Cultura no Facebook sobre o episódio envolvendo a merenda na EE Luciano Ivo Tognetti. O vídeo também mostra as dependências do setor de alimentação e a forma com que os alimentos são acondicionados, garantindo a qualidade dos alimentos distribuídos para as escolas.

Diariamente, o SMAE distribui cerca de 15 mil refeições que abastecem todas as unidades da rede municipal de ensino, incluindo as duas escolas estaduais. Ao todo, são preparados e distribuídos todos os dias 4.500 kg de alimentos. Altemar relata que trabalha no SMAE desde 2018, e esta é a primeira vez que um fato como este é relatado. O Chefe de Seção da Alimentação Escolar garante que os alimentos preparados e distribuídos pela Prefeitura são de excelente qualidade, todos dentro do seu prazo de validade, e que o fato ocorrido na escola localizada no Bairro Morada do Sol é um acontecimento isolado e está sendo rigorosamente apurado.

O que aconteceu na EE Luciano Ivo Tognetti foi que, após suspeitarmos de que poderia ter havido o comprometimento do frango que havia sido preparado e distribuído apenas para aquela escola, providenciamos imediatamente a retirada desse alimento, sem que houvesse tempo para o seu consumo. Ninguém havia consumido o prato quando retiramos ele do cardápio do dia. As demais escolas nem chegaram a receber aquela comida, portanto, seria impossível que algum aluno de outra escola pudesse ter ingerido o alimento suspeito de estar comprometido. Não há, inclusive, nenhuma foto deste frango compartilhada nas redes sociais, justamente porque ninguém fez o seu consumo”, explicou Altemar.

Quanto as narrativas de que alunos da EE José Ferreira da Silva também teriam consumido algum tipo de alimento estragado, a informação é negada inclusive pela direção da escola, sendo que nenhum aluno registrou qualquer fato nesse sentido junto aos responsáveis daquela unidade educacional.

O que de fato ocorreu na escola estadual localizada no centro da cidade, é que, assim como nas demais unidades da rede municipal, por não haver tempo hábil para o preparo de um novo frango, a equipe do serviço de alimentação preparou um cardápio a base de ovos e legumes, do qual foi distribuído e consumido por toda a rede escolar, sem que houvesse um registro sequer de alunos intoxicados pelo novo prato.

Em nenhuma das fotos que foram postadas e compartilhadas massivamente – e que suspostamente mostram recipientes com alimentos estragados na merenda da EE José Ferreira da Silva – não aparecem o frango que poderia estar comprometido e que foi retirado antes mesmo de ser servido aos alunos da escola localizada no bairro Morada do Sol. Para Altemar, a imagem mostra de forma inequívoca, tratar-se do cardápio a base de ovos e legumes, porém, segundo ele, ‘a aparência do alimento nas imagens postadas nas redes sociais também não condiz com o seu preparo e nem da forma como foi distribuída’.

Em pelo menos uma das fotos compartilhadas, relacionando-a à merenda distribuída para a EE José Ferreira da Silva, a imagem sugere que pode ter havido manipulação, uma vez que a condição do alimento não é a mesma que foi entregue na unidade escolar”, disse Altemar.

Assim, o que foi apurado e confirmado até o momento, é que os alunos da EE Luciano Ivo Tognetti, ao serem informados que o prato do dia (frango) estaria sendo substituído pelo cardápio de ovos e legumes em razão da suspeita do comprometimento da sua qualidade, teriam compartilhado a informação (via WhatsApp) para um grupo de amigos da outra escola estadual, onde, a partir daí, a história ganhou novas nuances, ganhando também proporções que ultrapassaram os portões das duas unidades educacionais, trazendo como consequência – e de forma lastimável – apreensão e preocupação para os familiares dos alunos de boa parte da rede municipal de ensino.

Vale ressaltar também que a Prefeitura solicitou à Irmandade da Santa Casa de Descalvado um levantamento de todos os atendimentos realizados ao longo da quinta-feira, dia 31 de março, no Pronto Socorro Municipal, sendo que em nenhum dos atendimentos realizados houve relação expressa sobre o paciente ter passado mal em razão de ter consumido merenda em qualquer unidade escolar.

Leia abaixo a íntegra da nota de esclarecimento do Serviço Municipal de Alimentação Escolar:

             “As vinte e quatro (24) unidades escolares municipais, mais as duas escolas estaduais do município, são supridas com a alimentação e/ou produtos fornecidos pelo SMAE – Serviço Municipal de Alimentação Escolar. No dia 31 de março, quinta-feira, ocorreu um problema, no almoço, na E.E. “Luciano Ivo TognettI”, com a carne (de frango), que aparentemente estava fermentada. Prontamente detectou-se o problema na produção do SMAE, realizou-se o descarte de TODA A PRODUÇÃO e improvisou um outro acompanhamento: Ovos Mexidos com Legumes, uma vez não havia tempo hábil para outra preparação. Assim sendo, algumas escolas receberam outro cardápio (Frango Empanado) e outras receberam Ovos Mexidos.

            Na E.E. “José Ferreira da Silva” os alunos dos 1º Anos e dos 2º Anos (Ensino Médio) já haviam se alimentado (sem problema algum). Quando os alunos dos 3º Anos foram almoçar, receberam, pelas redes sociais, mensagens dos amigos da E.E. “Luciano Ivo Tognetti” falando do problema com a carne. A partir deste momento, alguns jovens não quiseram alimentar-se e outros disseram estar passando mal. Foi necessário a intervenção dos responsáveis para acalmá-los.

            Assim sendo, o que de fato ocorreu: o descarte da carne em uma escola, carne essa que não foi consumida, e uma reação coletiva, em outra escola, em função das notícias das redes sociais. Não houve qualquer problema com a alimentação escolar nas demais unidades escolares! Nenhuma criança passou mal! Não há quaisquer relatos, por parte dos diretores e coordenadores, de intoxicação alimentar!”