Entrevistamos um dos autores da obra; livro aborda aspectos do município após a queda do café.

Parte dos autores do livro “Descalvado no Século XX”. Da esquerda para a direita: Marco Pratta, Rogério Gomes, Leonice Zago Pierin, Romualdo Corrêa, Márcia Tessarin, Alessandra Paganotto, Maria Luiza Spanghero Dolci, Sandra Araújo Pizza, Paulo Afonso Gabrielli Filho e Júlio Mesquita Moretin.

No final de dezembro de 2020, foi lançado na Câmara Municipal de Descalvado o livro “Descalvado no Século XX”. Organizado pelos professores Alessandra Paganotto e Marco Antônio Pratta, a obra contou com a colaboração de historiadores e memorialistas empenhados na preservação da história descalvadense, registrando-a para as futuras gerações.

Rogério Garrido Gomes (entrevistado por nossa reportagem), ao lado da professora Leonice Aparecida Zago Pierin, autores do capítulo sobre o cotidiano rural em Descalvado.

Entrevistamos Rogério Garrido Gomes, funcionário da prefeitura descalvadense e um dos autores envolvidos. Licenciado em História pelo Centro Universitário Internacional UNINTER em 2020, ele nos contou que os autores convidados dissertaram sobre temas relacionados ao século XX e as transformações pelas quais Descalvado passou nesse período. Mais precisamente, aspectos econômicos, políticos e sociais relacionados com o final do ciclo do café, por volta da década de 1930.

Rogério comentou acerca do trabalho dos autores convidados: que o autor Mário Sebastião Bonitátibus trouxe um panorama da sociedade e da economia existentes no final do século XIX e início do século XX; já o professor Marco Antônio Pratta, no segundo capítulo, analisou o fim do ciclo cafeeiro, o despovoamento da zona rural e as mudanças da economia local, com destaque para o ciclo do algodão, indústria, comércio e avicultura. Alessandra Paganotto, por sua vez, discorreu sobre as tecelagens no município, do auge ao declínio dessa fase produtiva.

Demais autores deram suas contribuições: pastor Romualdo Corrêa falou da Igreja Presbiteriana; Cal de Lima apresentou a Cavalaria Antoniana; Júlio Moretin levantou informações sobre o Bar Quatro Cantos; Paulo Afonso Gabrielli Filho escreveu sobre o Clube Esportivo e Recreativo Descalvadense (CERD); Maria Luiza Spanghero Dolci e Sandra Pizza relembraram a Escola Estadual José Ferreira da Silva; e Cida Alfieri contribuiu com biografias de professores e funcionários públicos que contribuíram de forma significativa para a sociedade descalvadense.

Ainda, há capítulos que trataram de pessoas anônimas ou com pouca visibilidade bibliográfica: o capítulo da professora Leonice Aparecida Zago Pierin que, junto com Rogério, falaram sobre o cotidiano na zona rural e referências culturais no século XX; e as manifestações culturais de raízes africanas em Descalvado, importante tema abordado pela professora Márcia Maria de Oliveira Tessarin.

Professores Marco Antônio Pratta e Alessandra Paganotto, organizadores da obra.

Sobre seu capítulo, “Cotidiano Rural e Referências Culturais no Século XX”, Rogério opina que esta foi uma grande oportunidade para registrar a vida do habitante da zona rural de forma contada por eles mesmos. Junto com Leonice, entrevistaram em 2019 sete pessoas, sendo duas mulheres e cinco homens, com idades entre os 70 e os 86 anos, consultando-os sobre referências a respeito da infância, da adolescência e da vida adulta que revelassem os modos de vida, costumes e crenças de sua geração.

“Estou orgulhoso de fazer parte dessa iniciativa dos professores Marco Pratta e Alessandra Paganotto, honrado em fazer parte desta equipe de autores e passando a figurar entre aqueles que escreveram sobre o município que aprendi a amar”, afirma o autor, nascido em Santos (SP) e que, junto com a família, veio para Descalvado em 1996.

Maiores informações podem ser obtidas junto ao Museu Público Municipal de Descalvado.