O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

A campanha Setembro Amarelo salva vidas! 

Durante todo o mês de setembro iremos acompanhar as ações do Setembro Amarelo em todas as regiões do país. Setembro Amarelo é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015. É uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida, do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria.

É importante lembrar que apesar do mês de setembro ter sido escolhido para reunir grandes ações contra o suicídio, é essencial que todos estejam sempre atentos aos sinais que indiquem que algum familiar, amigo ou colega de trabalho esteja passando por momentos difíceis.

Manuela Fiorin Juliani 
Psicóloga com Ênfase em Psicanálise | CRP 06/133218 | CRP/SP 06/6102/J

A psicóloga Manuela Fiorin Juliani destaca a importância do Setembro Amarelo e reforça a necessidade de estar atento à qualquer mudança de comportamento. ” O Setembro amarelo é extremamente importante para dar ênfase ao problema, porém a luta e o cuidado tem que ser diária! Mas, ter um momento de ênfase para tal situação, demonstrar cuidado, acolhimento e afeto, com certeza aumenta a chance de diminuir a taxa de suicídio e lidar melhor com os tabus que ainda existe“, afirma.

De acordo com a especialista, de um modo geral os primeiros sintomas da depressão são: tristeza, desanimo, perda de interesse, alteração do sono e apetite, baixa auto estima e diminuição da concentração e foco. “Cada paciente apresenta uma demanda. Mas esses são sintomas mais comuns no primeiro momento. Por isso, quando sentir qualquer um desses procure imediatamente um profissional, você irá conseguir prevenir muito a sua patologia“, explica.

Ela ressalta ainda que a depressão não tem cura, mas que quando acompanhado, o paciente consegue manter uma estabilidade emocional e continuar com sua rotina. Durante o tratamento é de extrema importância que o paciente faça terapias para desenvolver e conseguir conversar no consultório assuntos que em casa não se sente a vontade para falar.

 “A terapia é extremamente importante em toda a etapa da vida do ser humano, mas, mais ainda quando ocorrem essas patologias (depressão, suicídio..), em paralelo com o acompanhamento psiquiátrico. Auxilia muito no processo de entender a depressão, lidar com suas tristezas, bloqueios e traumas que possivelmente estão te levando a adoecer. Orienta o paciente a buscar alternativas para amenizar sua dor e sofrimento“, comenta a especialista.

OMS alerta para adoção de estratégias de prevenção ao suicídio

Dos 183 países integrantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas 38 pesquisados pelo organismo, entre eles o Brasil, contam com uma estratégia nacional de prevenção ao suicídio. Embora represente um aumento de quase 35% em comparação aos 28 países que, já em 2014, tinham estabelecido políticas públicas para lidar com o tema, o resultado ainda é considerado insuficiente pela OMS.

Em um relatório divulgado, hoje (9), véspera do Dia Mundial para a Prevenção ao Suicídio, a organização alerta sobre a necessidade dos governantes mundiais estabelecerem estratégias nacionais, instituindo medidas preventivas e orientações claras para auxiliar a população a lidar com o tema, que costuma ser encoberto por uma nuvem de preconceitos e incompreensão.

De acordo com a organização, uma pessoa se suicida a cada 40 segundos, no mundo. Número que, conforme destaca o relatório, não representa fielmente a realidade, já que, para cada morte devidamente registrada, há muitas outras tentativas e óbitos que não chegam a ser contabilizados como suicídios.

Segundo a OMS, apenas 80 dos 183 países-membros da organização dispõem de informações de “boa qualidade” sobre o tema, o que dificulta a elaboração de uma estratégia nacional eficaz. Ainda de acordo com a OMS, 79% de todos os casos mundiais se concentram em países de baixa renda – ainda que, por razões demográficas, as maiores taxas de casos por cada grupo de 100 mil habitantes tenham sido registradas nos países desenvolvidos e de maior poder aquisitivo, diz a organização.

Jovens

O autoextermínio já é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, atrás apenas dos acidentes de trânsito, segundo a OMS. Globalmente, se analisados os gêneros, o suicídio é a segunda causa de mortes entre meninas de 15 a 19 anos (depois de problemas decorrentes da maternidade) e a terceira entre garotos da mesma faixa etária (superada por acidentes de trânsito e por casos de agressão).

Após avaliarem experiências bem-sucedidas em diversas nações, os responsáveis pelo relatório apontam que as formas mais eficazes de reduzir o número de suicídios incluem medidas para dificultar o acesso a alguns meios de se matar; a sensibilização dos meios de comunicação sobre a importância de abordar o assunto da forma correta; a oferta de programas que ensinam os jovens a lidar com as frustrações e problemas cotidianos e a identificação de pessoas sob risco, oferecendo-lhe todo o apoio necessário.

Dentre as medidas, a OMS destaca as restrições ao livre acesso a pesticidas como a mais eficaz, já que a letalidade desses produtos é muito alta. Dados internacionais apontam que a proibição dos produtos mais perigosos à saúde humana contribuiu para a redução das taxas de suicídio em vários países, como o Sri Lanka, onde, segundo a OMS, uma série de medidas restritivas reduziram em cerca de 70% a taxa de suicídio, ajudando a salvar em torno de 93 mil vidas entre 1995 e 2015. Outra fonte de preocupação dos especialistas em todo o mundo é o acesso às armas de fogo.

Renda

A OMS ressalta que, embora a ligação entre suicídio e transtornos mentais, particularmente transtornos relacionados à depressão e ao uso de álcool, esteja bem documentada em países com renda elevada, muitos suicídios ocorrem impulsivamente durante tempos de crise que minam a capacidade de enfrentar as tensões da vida, como problemas financeiros, quebra de relacionamento ou dor e doença crônica.

Além disso, experiências relacionadas a conflitos, desastres, violência, abuso, perdas e sentimentos de isolamento estão intimamente ligadas ao comportamento suicida. As taxas de suicídio também são altas entre grupos vulneráveis sujeitos a discriminação, por exemplo, refugiados e imigrantes; comunidades indígenas; pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, intersexuais e presos.

Desde 2006, quando foi publicada a Portaria nº 1.876, o Brasil conta com diretrizes para a prevenção ao suicídio. A norma estabelece que as medidas devem ser implantadas em todas as unidades da federação e incluir, entre outras ações, medidas de promoção de qualidade de vida, de educação, de proteção e de recuperação da saúde e de prevenção de danos, a fim de fazer frente aos casos de suicídios, classificados como “um grave problema de saúde pública, que afeta toda a sociedade e que pode ser prevenido“. 

No ano de publicação da portaria, o Ministério da Saúde apontava o “aumento observado na frequência do comportamento suicida entre jovens entre 15 e 25 anos, de ambos os sexos, escolaridades diversas e em todas as camadas sociais“, como uma razão para a adoção de diretrizes nacionais.

(Agência Brasil)